1º de maio é Dia do Trabalhador! É, a data que é dedicada aos trabalhadores em quase todos os países do mundo será comemorada de um jeito um pouco diferente. Nada de abraços, apertos de mão ou homenagens presenciais desta vez. O Primeiro de Maio, que foi estabelecido em função de uma greve de trabalhadores por melhores condições de redução de jornada ainda em 1886, em 2020 acontece em meio à uma crise mundial.

A pandemia do COVID-19 está transformando as nossas vidas como um todo. E também a forma de trabalhar, como não poderia ser diferente. Ou, ainda, fazendo com que muitos trabalhadores percam suas colocações no mercado. Neste Dia do Trabalhador, a ideia desse artigo é fazer uma reflexão sobre as transformações nas relações de trabalho em função deste momento atípico. Também vamos falar como gestor, colaborador e Recursos Humanos estão precisando renovar os seus papéis neste novo contexto. 

Boa leitura! 

O trabalho e a pandemia 

De uma hora para a outra as empresas se viram obrigadas a pedirem que seus trabalhadores continuassem atuando de casa para não pararem suas operações. Mesmo sem muitos negócios nunca terem pensado em fazer isso. E aí o home office, que tanto falamos por aqui, ganhou os holofotes no mundo todo. 

Com o isolamento, as pessoas deixaram de sair. Logo, deixaram de comprar. Então, o mercado se retraiu. E os trabalhadores perderam seus empregos diante da crise. É normal que as empresas adotem essa postura mais defensiva para o enfrentamento desse contexto. Mas, não há uma fórmula mágica. Para minimizar os efeitos dessa situação, o governo implementou medidas importantes, como a MP 936/2020

Por outro lado, muitos negócios estão conseguindo ver esse cenário como uma oportunidade desafiadora para se transformar. Reinventar seu modelo. Repensar sua estrutura. Refletir sobre suas entregas. E se readequar diante de tudo isso. Usando a tecnologia a seu favor… ou dando seguimento àquele projeto que estava esquecido ou que ficaria para depois. 

Trabalhadores

No Dia do Trabalhador – e não só hoje – os profissionais merecem todo o agradecimento possível. Eles e elas, que continuam trabalhando dos seus lares e ainda precisam dar atenção aos afazeres dos filhos. Aqueles, que não podem ficar em casa e atuam na linha de frente para enfrentar essa doença. Ou ainda quem perdeu o seu emprego em função deste momento. Todos são trabalhadores. Mas, acima de tudo, são pessoas precisando adequar suas rotinas em função dessa nova forma de trabalhar. 

O empecilho da falta de contato físico pode trazer ruídos na comunicação e afetar a produtividade em casa. E aí, o colaborador precisa ter foco. E muita disciplina para que o home office funcione de fato. 

A flexibilidade que acontece no home office é um dos benefícios para esse trabalhador, que pode evitar o trânsito ou aproveitar o horário do almoço para resolver pendências particulares. Tem gente que está descobrindo os melhores lugares da casa para trabalhar. Tem outros que não querem mais ficar em casa. E ainda outros que estão se inserindo no mundo do home office. 

É importante lembrar que para os trabalhadores, o limite é a chave do sucesso: é preciso ter planejamento para fazer com que tudo aconteça no horário de trabalho. Mas também é necessário saber a hora de parar ao final do expediente. 

Muito mais do que um trabalhador que cumpre com o que o gestor estabelece, o colaborador vem assumindo o papel de parceiro. Do colega, do gestor, de quem for. Estar à disposição para ajudar nunca foi tão importante. Isso porque não há receita para nada nessa situação. E tentativa e erro fazem parte do processo de crescimento. 

Gestores 

São os gestores que precisam estar ainda mais perto dos seus times neste momento. Eles que devem agir para manter a equipe em sintonia e motivada para continuar trabalhando. Mas, nessa situação nova, esse papel de líder fica ainda mais em evidência. 

Nesse momento, é preciso estar ainda mais perto (mesmo de longe). Assim, bate-papos devem ser mais frequentes e uma postura mais acolhedora também é importante. Com certeza, muitos questionamentos devem vir. E esse gestor, por mais que não tenha todas as respostas, precisa ser assertivo na sua comunicação e no que deve ser colocado em prática pelo time para evitar que os trabalhadores se sintam perdidos ou esquecidos. 

Colocar-se no lugar do colaborador, tendo em mente que cada um vive uma realidade específica também é importante. Tudo isso pode influenciar no rendimento do trabalhador e isso faz parte do processo que todos estão passando. Mais uma vez, não há certo ou errado. Mas, sem dúvidas, para eles uma postura que passe segurança para os colaboradores é fundamental. 

Também não dá para deixar as conquistas de lado. Sim, mesmo de longe. É preciso comemorar, elogiar, reconhecer. É uma forma de valorizar aqueles que fazem tudo acontecer todos os dias. 

Recursos Humanos

O RH tem uma importante função, que é atuar para estimular o bem-estar e cuidar das pessoas. Nesse fase de incertezas, isso deve continuar acontecendo. Mas à distância. E é aí que vem o desafio. Como substituir o abraço e o “como você está?” seguindo de uma conversa rápida no corredor? É, todo mundo está longe. Mas o RH precisa manter esse elo próximo entre a empresa e seus gestores e os colaboradores.

Antes de tudo isso, os Recursos Humanos faziam de tudo para manter os profissionais nas empresas. Agora, é seu dever levar a empresa até a casa do colaborador. Mantendo essa conexão de uma forma ainda mais intensa. É preciso mantê-lo engajado, motivado e confiante que tudo isso vai passar. Fácil? Não, bem pelo contrário.

Além disso, é preciso pensar que as pessoas não estão trabalhando de casa por opção. Todos estão em home office obrigatoriamente, de certo modo. O que transforma completamente o cenário. Ainda mais porque não se sabe quando isso vai acabar. E aí as inseguranças e incertezas vêm com tudo. 

Quando a saúde mental não vai bem, a produtividade cai. Por isso, mais do que nunca, o RH deve mostrar para o que veio. Cuidando, colocando-se à disposição, tendo empatia. Entendendo que todos os trabalhadores – desde o alto escalão até à equipe operacional – precisa continuar fazendo suas funções, mas de forma remota. 

E-mails com dicas para desopilar, videoconferências para reconhecer os resultados das equipes – e também de modo individual, além de onboardings online e feedbacks virtuais são um novo jeito de fazer RH. Sem esquecer, claro, de cuidar de si. Isso porque a demanda pela área está bem mais alta. É imprescindível cuidar-se para poder continuar cuidando dos outros. 

Relações de trabalho em transformação

É um momento sem precedentes. Mas que já traz muitas lições: na forma de fazer negócio, de trabalhar, de usar a tecnologia como uma aliada. Colaborador, gestor e RH continuam assumindo suas funções usuais. Só que de uma forma diferente. Enfrentando o novo. Adequando-se ao que nunca foi vivido. Colocando um marco de transformação nas relações de trabalho.

Não, não é só o home office. É trabalhar sem saber o que virá. Sem respostas. Mas em conjunto. Em equipe e sabendo que se tem alguém com quem contar. Trabalho com mais cocriação e menos hierarquia, onde o time atua em pares e o vertical já não faz mais sentido. 

O futuro do trabalho é agora. Já chegou. E remoto, ou não, é feito por pessoas. Nunca o capital humano se fez tão importante para o sucesso das empresas. É hora de cuidar do colaborador, estar junto do gestor e colocar – efetivamente – o RH como um elo nesse processo.  No Dia do Trabalhador, que é hoje e sempre, essa foi a maneira que encontramos aqui na Ahgora de homenagear todos aqueles que não medem esforços para atingir seus propósitos através do trabalho.

Aguente firme, tudo vai ficar bem! 

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