O avanço das doenças no trabalho é reflexo de uma sociedade cada vez ansiosa. Segundo um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Ao todo, são 18 milhões de brasileiros convivendo com esse transtorno, o que equivale a 9,3% da população. 

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Mundialmente falando, a ansiedade afeta mais de 264 milhões de pessoas. Esse número representa um aumento de 15% em relação a última década. 

Mas o que, afinal, causaria esses problemas de saúde – e, em especial, as doenças no trabalho? As transformações no estilo de vida e o excesso de cobrança por eficiência operacional estão entre os principais motivos. 

Neste artigo, apresentaremos as principais doenças relacionadas ao trabalho, com destaque para a Síndrome de Burnout. Além disso, daremos algumas dicas sobre como a área de Recursos Humanos deve atuar em prol dos colaboradores que estão passando por esse tipo de problema. Vamos lá!

Doenças no trabalho: conheça as mais comuns

Os chamados transtornos mentais e comportamentais estão entre as principais causas de afastamento da atividade profissional.

Não existem motivos específicos para o seu surgimento, mas situações específicas do ambiente de trabalho podem contribuir para essa situação: pressão pelo atingimento de metas, relacionamentos difíceis com colegas, rigidez na ocorrência de erros e pouca independência.

Isso sem falar da questão financeira do colaborador. Afinal, muitas vezes, o profissional atua em atividades nas quais não se sente feliz por conta do salário.

O grande problema dessas doenças no trabalho é que elas alteram o processo cognitivo da pessoa, responsável pela formação da memória, do raciocínio e da percepção da realidade. 

Com essa alteração, começam a surgir consequências no seu dia a dia, tais como:

  • Falta de motivação e atrasos no trabalho;
  • Incapacidade de estabelecer relacionamentos saudáveis;
  • Não ter vontade de praticar atividades físicas regularmente.

Consequentemente, a pessoa não se sente mais feliz, perdendo o sono e, principalmente, a vontade de trabalhar. 

São diversas as doenças no trabalho. Porém, três vem ganhando cada vez mais destaque:

1. Depressão 

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com esse transtorno no mundo. A doença pode causar uma sensação de grande sofrimento, bem como disfunções no ambiente laboral. 

Atualmente, é a principal causa de incapacidade no trabalho, visto que é um fator de risco para o aparecimento de outros problemas, incluindo hipertensão e obesidade.

2. Ansiedade 

A ansiedade se caracteriza por preocupação, tensão e medos exagerados e persistentes. Assim, quem sofre com ela, tem a sensação de que, a qualquer momento, algo de ruim irá ocorrer. Ainda, quem é ansioso não tem controle sobre os seus pensamentos e as suas atitudes. 

Segundo a OMS, 322 milhões de pessoas convivem com a ansiedade no mundo. Só no Brasil, ela afeta mais de 18 milhões. 

No trabalho, a doença pode prejudicar a realização de diversas tarefas. Isso porque a tensão excessiva bloqueia a capacidade de pensar e agir diante de desafios. 

3. Estresse

O estresse está entre as principais doenças profissionais. As causas mais comuns para o seu surgimento são:

  • Desorganização do trabalho;
  • Excesso de cobrança;
  • Condições de trabalho inapropriadas. 

Esses e outros motivos podem impactar o desempenho do colaborador, sua autoestima e saúde como um todo. Além disso, o estresse pode gerar consequências graves ao corpo, incluindo doenças cardiovasculares, músculo esqueléticas e reprodutivas.

O estresse pode, ainda, gerar transtornos comportamentais e distúrbios do sono. 

planilha - indicadores de RH

O que é Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout é outra das doenças no trabalho que vem chamando cada vez mais a atenção. Trata-se de um distúrbio emocional que resulta de situações de esgotamento. De fato, é uma situação de estresse extremo, proveniente de sobrecarga ou excesso de funções.  

Também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, a Síndrome de Burnout pode gerar nervosismo, sofrimentos psicológicos e, ainda, problemas de cunho físico, como dores de cabeça intensas e cansaço extremo. Como resultado, é comum a pessoa dormir por muitas horas e acordar cansada, sem energia para fazer suas tarefas cotidianas. 

Pense em uma situação comum no ambiente de trabalho: um colaborador tem uma ideia rejeitada pela equipe. Mas quando se repete várias vezes, esse profissional começa a se questionar sobre o motivo de suas ideias serem descartadas com frequência, gerando a perda de confiança e autoestima. 

Quando a pessoa não se sente bem com seu próprio rendimento, qualquer situação pode agravar esse quadro e desencadear em um transtorno emocional. Por isso, esse contexto merece atenção extrema. 

Os principais sintomas da doença são: 

  • Desgaste físico e mental;
  • Dor de estômago, nas costas e nos ombros;
  • Alterações no apetite;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Insônia;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Excesso de negatividade;
  • Insegurança;
  • Alterações de humor repentinas;
  • Sentimento de derrota e incompetência;
  • Isolamento social;
  • Fadiga;
  • Pressão alta;
  • Alteração nos batimentos cardíacos (arritmia). 

Outro sinal comum é quando um profissional motivado passa a ser menos participativo, sem uma causa aparente. Ele começa a se atrasar e adiar suas tarefas, deixando-as sempre para depois. Mesmo assim, esse colaborador acaba sofrendo com a queda brusca de sua produtividade, surgindo o sentimento de frustração.

Geralmente, esses sintomas surgem de forma leve e esporádica. Mas, com o tempo, podem piorar e aumentar de intensidade, a ponto de prejudicar a relação com o trabalho. Muitas vezes, o colaborador começa a negligenciar esses sinais – o que pode ocasionar sintomas físicos mais graves, como crises de pânico, tremores e desmaios.

Tratamento e prevenção

Para evitar que ocorram situações mais sérias e outras doenças no trabalho, é importante procurar apoio profissional ao identificar um ou mais dos sinais listados acima. 

Além do apoio psicológico, é essencial mudar alguns hábitos – seja no trabalho ou no estilo de vida. Aliás, condutas saudáveis evitam que as doenças avancem, além de diminuir o estresse e a pressão no ambiente corporativo. Confira algumas dicas práticas para o RH orientar seus colaboradores:

  • Incentive os profissionais para que ao final do expediente eles se desconectem – nada de levar trabalho para casa;
  • Planeje junto dos colaboradores os horários de descanso. Fazendo com que eles aproveitem conhecer locais diferentes e comer em um novo restaurante, por exemplo;
  • Dê ê férias para os colaboradores. Afinal, elas são garantidas por lei e todo trabalhador tem direito;
  • Estabeleça um plano de carreira com objetivos profissionais e pessoais para os colaboradores;
  • Estimule a organização, priorizando as tarefas e estipulando prazos alcançáveis;
  • Recomende intervalos durante o expediente, dando uma caminhada ou tomando um café.

Além disso, ajude a manter um diálogo junto às lideranças. Caso o colaborador se sinta sobrecarregado com o trabalho, ele deve expor a situação, enquanto o RH oferece alternativas para tornar mais leve a sua atividade.

Assegure-se ainda de que há uma carga horária definida e justa, a qual permita que as tarefas sejam executadas sem a necessidade de hora extra.

Qual o papel das empresas em relação às doenças no trabalho?

Segundo um levantamento da OMS, os transtornos mentais custam cerca de 1 trilhão de dólares por ano à economia global. Esse prejuízo não é consequência somente de demissões, absenteísmo e afastamentos, mas também da queda na produtividade dos colaboradores, o que gera impactos negativos nos negócios. 

Diante disso, as empresas e seus RHs têm papel fundamental. Então, é indispensável perceber quais os problemas enfrentados pelos colaboradores para oferecer total apoio.

Doenças no trabalho: o que diz a lei?

A Síndrome de Burnout está inserida em uma categoria que se refere aos problemas relacionados com a organização, descrita na Classificação Internacional de Doenças. 

O Ministério da Saúde também inclui a Sensação de Estar Acabado (Síndrome do Esgotamento Profissional) à sua lista de doenças relacionadas com o trabalho. Nela, são considerados como fatores de risco de natureza ocupacional o ritmo de trabalho penoso e outras dificuldades físicas e mentais. 

Na última alteração do Regulamento da Previdência Social, ocorrida em 1999, a Síndrome de Burnout ganhou caráter de transtorno mental e comportamental. Já as alterações na Reforma Trabalhista descrevem com maior clareza os danos que as empresas podem sofrer em decorrência das doenças no trabalho.

Na nova lei, a Síndrome de Burnout é comparada ao acidente de trabalho. Após comprovação da causa, a empresa pode ser enquadrada no quesito responsabilidade civil, tendo que pagar indenização por dano moral – caso culpada. O valor da indenização leva em conta aspectos como:

  1. Gravidade da doença e do dano causado;
  2. Nível de responsabilidade do empregador. 

Caso o trabalhador seja afetado em suas atividades laborais, a situação poderá ser enquadrada como dano moral e, ainda, existencial. Isto porque o excesso de trabalho estaria prejudicando seus hábitos de vida e, ainda, causando sequelas à saúde. 

Desta forma, a nova Lei Trabalhista blinda o profissional no sentido de ter seus direitos garantidos caso o ambiente de trabalho seja desgastante ou exigente demais.

Como o RH deve agir nessas situações?

O RH não deve julgar um colaborador por ser portador de uma doença no trabalho, mas ser um aliado no processo de melhora. Além de conhecer bem os sintomas que envolvem os distúrbios, é essencial agir para promover as melhorias necessárias. 

Confira algumas dicas que podem ajudar no estado de saúde do colaborador e, também, evitar que mais pessoas sejam afetadas.

1. Faça avaliações do ambiente de trabalho

Para evitar que os profissionais sofram com problemas de saúde relacionados ao trabalho, é importante garantir que o ambiente seja agradável e motivador. Desta forma, o RH deve promover mudanças, visando a melhor experiência do colaborador.

É preciso assegurar que os profissionais se sintam parte e façam a diferença na organização. Para isso, as condições apropriadas são necessárias, a fim de evitar cargas extras de trabalho. 

CTA - planilha de avaliação de desempenho

2. Desenvolva uma boa comunicação interna

Garantir o diálogo entre colaboradores, líderes e demais gestores é essencial, pois esse acesso fácil cria um sentimento de pertencimento e valorização. A comunicação deve ser uma via de mão dupla, ou seja, o profissional também deve receber feedbacks constantes, a fim de ter conhecimento sobre a expectativa da empresa em relação a ele.

Tudo isso assegura a satisfação das equipes e auxilia no bem-estar e na felicidade dos colaboradores. 

Outra dica: promova ações que demonstram o cuidado que a empresa possui com o seu time de profissionais. Um exemplo é a amamentação no trabalho. A adoção de uma política  confirma que a empresa se preocupa com o bem-estar da profissional que se tornou mãe.

3. Reconheça os colaboradores

Além do salário e dos benefícios já disponibilizados aos colaboradores, a empresa deve desenvolver ações de reconhecimento para os colaboradores. É possível criar planos de carreira e oferecer treinamentos e orientação profissional. Também valem ações mais simples, como reconhecimento diário por desempenho ou elogios sobre a performance.

Oferecer plano de saúde é um diferencial que pode ajudar – e muito – em casos de doenças no trabalho. Dessa forma, o profissional fica mais tranquilo e sabe que receberá o tratamento adequado.

4. Promova ações de educação emocional 

Palestras e visitas de profissionais da área de Saúde para conversar com os colaboradores são essenciais. É preciso demonstrar aos profissionais e gestores que é importante falar sobre seus anseios em relação ao trabalho. O assunto ainda é um tabu, o que torna esse contexto bem mais delicado. Por isso, deve haver sempre um canal aberto para o diálogo.

É possível prevenir a Síndrome de Burnout? 

O primeiro passo para evitar as doenças no trabalho é ter qualidade de vida no ambiente profissional e fora dele, adotando algumas das posturas já citadas anteriormente.

Do lado da empresa, também é possível realizar ações preventivas, como criar a “semana da saúde” e convidar profissionais que abordem assuntos relacionados à condição de trabalho e, principalmente, à qualidade de vida. 

Lembre-se que as doenças relacionadas com o trabalho devem ser levadas à sério tanto pelo empregado, quanto pelo empregador. 

Você conhece um colaborador diagnosticado com uma dessas doenças no trabalho e quer saber como proceder? Acesse o nosso artigo sobre atestado médico

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