Como executivo de capital humano, sou um apaixonado pela gestão. Mais fundamentalmente, pelo resultado que as organizações conseguem atingir quando utilizam o capital humano de forma apropriada.

A relação entre ROI e capital humano

É possível gerar retorno do investimento (ROI) das mais variadas espécies. Cito o retorno financeiro da companhia:

  • através da geração de margem líquida;
  • do EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization);
  • Lucro líquido.

Por vezes, o retorno deve-se ao investimento social pelo impacto gerado na sociedade através dos impostos e ações sociais pertinentes.

Principalmente, o retorno do investimento no capital humano – que é o elo de geração dos resultados – traz à luz a necessidade (e por que não dizer, a obrigatoriedade) das organizações atuarem consistentemente neste ativo que é o principal gerador de resultados.

capital humano varejo
capital humano varejo

Falar de capital humano como elemento de geração de resultado parece discurso retórico e mais um clichê. Entretanto, o que podemos verificar é que as empresas que adotam políticas de gestão de capital humano de forma eficiente e consistente, com visão de longo prazo, obtém retornos sobre o investimento em nível muito superior às demais.

Para simples constatação, basta verificar o concurso anual promovido pela GPTW – Great Place to Work. As empresas destaque adotam políticas de capital humano que ajudam a suportar os resultados financeiros. E elevar os índices das métricas de capital humano.

planilha - indicadores de RH

O varejo brasileiro em geral, há muito tempo, tem se deparado com o paradigma Investimento x Retorno do Investimento em capital humano.

Para muitos executivos, CEOs e até presidentes de empresa, o porto seguro é o somente o resultado financeiro de geração de caixa e fechamento positivo do mês. Isso não está errado. Entretanto, vistos somente sob esta lógica, dificilmente terão em suas empresas política consistentes de capital humano.


Os custos causados por uma má gestão de pessoas

Há empresas que tratam o custo geral como aceitável. Veja bem, aceitar custo geral de pessoas, em geral provocado pelo círculo vicioso – CONTRATAR – ÀS VEZES TREINAR – DEMITIR me parece não ser razoável. Haja vista que, para tudo isto, existem custos que não se recuperam.

Dentre os custos que não se recuperam estão:

  • a produtividade abaixo da média,
  • custos com recrutamento e seleção (pela necessidade imediata, são ineficazes),
  • custos com demissões e indenizações,
  • custos com treinamento (quando são efetuados), entre outros.

Diante a isto, o varejo brasileiro se encontra em frente a paradigmas, dentre eles:

1 – Implementar política de Retenção de talentos com foco em desenvolvimento, carreira e sucessão (redução do turnover geral e principalmente das posições chave). 

2 – Preparação adequada dos gestores da operação com visão no médio e longo prazo. O tema liderança é prioritário em toda cadeia de valor do tema capital humano.

3 – Elevar o nível de satisfação de atendimento ao cliente e respectiva prestação do serviço.

4 – Aumentar a relação entre margem líquida x faturamento como forma de geração de valor e consequente aumento de lucros.

5 – Aumentar a produtividade geral da empresa. Isto se faz por fontes diversas, sejam elas tecnológicas ou estruturais. Mesmo assim, ocorrem fundamentalmente através das pessoas.

Ter processos de negócios claros (funcionários e clientes) e métodos de trabalho que facilitem a execução e gerenciamento podem nos indicar alguns caminhos para isto.


Novos formatos de trabalho terceirizados
employee experience envolvendo o funcionário na cultura da empresa

Como aumentar o ROI ao melhorar a experiência do empregado

Com o foco de melhorar gestão do capital humano, penso que as empresas do segmento de varejo devem estar atentas em planejar e implementar processos e políticas que visem oferecer aos funcionários, na sua individualidade e na sua coletividade, mensagens de caráter prático e de fácil visualização. Posso dizer que se faz o indivíduo sentir é que faz sentido.

É imprescindível que o funcionário possa ver, sentir, ouvir e principalmente experienciar todas as facetas da cultura organizacional, suas políticas, normas e procedimentos. É uma forma de sentir pertencente a algo que tenha significado e sentido em sua vida.

Para aumentar o ROI ao melhorar a experiência do empregado sugiro que as empresas observem os seguintes passos:

  1. Definir a EVP – Employee Value Proposition (proposta de valor ao empregado)

    O que, de fato, a empresa diz que oferece? De fato, isto é real e sentido (pode ser experienciado) pelo funcionário como participante da organização? Traduzindo: ele consegue tangibilizar ou se projetar no futuro como algo possível de atingir?

  2. Proporcionar bom Local de trabalho / Infraestrutura

    A organização disponibiliza os recursos necessários à melhor execução do trabalho? Neste caso tem a ver com o senso de justo, do correto. Não quer dizer que a empresa deve disponibilizar tudo de última tecnologia. Mas ter ferramentas e processos que facilitem a execução, reduzam o retrabalho e a improdutividade e, por fim, diminuam o estresse individual.

  3. Manter a cultura organizacional forte

    O que os valores da empresa informam? É uma cultura aberta (cooperação, agilidade, aberta ao diálogo, lideranças que ouvem e que ajudam a construir os resultados) ou fechada (firmada no estereótipo da liderança é quem pode fazer tudo, pensar, dar ideias, etc.). O que de fato a empresa pratica está alinhado com o que ela comunica?

O alinhamento organizacional – adoção e execução das práticas – apoiado por amplo processo de endomarketing é essencial. A cultura de uma organização é algo mutante, adaptativa. Entretanto, cabe aos dirigentes definir o rumo, o alinhamento, a centralidade e a  clareza dos princípios que regem as diretrizes e políticas da companhia.


O papel da Diretoria no processo

Para finalizar, os desafios para a gestão do capital humano no varejo são enormes. E não está restrito às grandes empresas – envolvem todo o segmento. A necessidade de estabelecer diretrizes, aplicar e agir constantemente para que elas se concretizem, está a disposição de todas as empresas.

o papel da diretoria nos processos de gestão
o papel da diretoria nos processos de gestão

Para incrementar resultados e aumentar produtividade, não existe fórmula mágica e sim muito trabalho, disciplina e foco. Isso requer que os dirigentes em todos os níveis pratiquem e façam a cultura da empresa caminhar na construção dos resultados.

A construção dos resultados e sua consolidação passa necessariamente pelo principal ativo das organizações que é o capital humano. É o capital humano que é capaz de agir, de simular e prever cenários, de imaginar e projetar e sobretudo sentir.Temos que lembrar que o ser humano é um ser emocional que tem a aptidão de raciocinar. Isto faz dele um capital único e exclusivo, que precisa ser contemplado na matriz de resultados de todas as organizações.

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