Um dos principais assuntos abordados em nosso blog é a velocidade com que o RH vem se transformando. E nós, que vivemos e respiramos a área, precisamos estar sempre atualizados.

Por isso, a Ahgora não poderia ficar de fora do Transformation Talks. O evento reuniu os principais líderes de capital humano de grandes empresas do país para pensar em temas que estão em alta na área de gestão de pessoas.

Fiquei imensamente feliz em ser escolhida para acompanhar as tendências do RH e inovações globais que estão transformando o HCM como representante da empresa. E o melhor: poder compartilhar tudo com vocês!

O Transformation Talks também contou com a participação de pensadores que são referência quando o assunto é Transformação Digital.

Para você ficar por dentro de tudo o que rolou lá, criei uma seleção dos principais pontos debatidos ao longo do dia. Continue a leitura.

planilha - indicadores de RH

Transformation Talks: veja o que foi destaque 

Palestra com Maite Schneider, CEO da Transempregos

Maite é co-fundadora e CEO da Transempregos. A plataforma faz a inserção de pessoas trans no mercado de trabalho e conta com o maior banco de dados desses colaboradores no país.

Durante a palestra, ela fez algumas declarações que trazem reflexões:

  • “Empresas contratam por competências e demitem por comportamento.”;
  • “65% das profissões que as crianças de hoje assumirão no futuro ainda não foram inventadas.”;
  • “Diversidade é quando chamamos as pessoas para festa. Inclusão é quando chamamos elas para dançar.”.

Também enumerou as habilidades do profissional do futuro, de acordo com o Fórum Econômico Mundial:

  1. Resolução de problemas complexos;
  2. Pensamento crítico;
  3. Criatividade;
  4. Liderança e gestão de pessoas;
  5. Trabalho em equipe;
  6. Inteligência emocional;
  7. Julgamento e tomada de decisões;
  8. Orientação para servir;
  9. Negociação;
  10. Flexibilidade.

Painel “Mercado 5.0”

Moderado pelo editor-chefe da Forbes, José Vicente Bernardo, o painel contou com a presença de Fernanda Baggio (CMO da Neoway), Giusepe Giorgi (Diretor de RH da Pirelli) e Rafael Kiss (Diretor de Produtos da ADP).

Segundo os participantes, o mercado 5.0 é aquele que usa todas as revoluções e tecnologias do mercado 4.0 para trazer mais qualidade de vida até as pessoas. Ou seja, “não há dados e algoritmos que substituam a humanidade nos processos”.

Rafael Kiss contou algumas práticas do RH da ADP que podem servir de exemplo para outros negócios.

A sua empresa teve um aumento de produtividade de 40% quando ampliou a diversidade do time. Além disso, ele não contrata PCDs somente para cumprir cotas. É ótimo ouvir sobre como grupos heterogêneos trazem mais e melhores ideias. Para Kiss, “a produtividade é maior quando há um grande senso de pertencimento na empresa”.

Painel “Transformação Digital – Qual é o Papel do RH nesta Mudança”

Com a moderação do apresentador da Jovem Pan, André Miceli, o debate foi entre Carlos Brito (VP de RH da Bayer), Daniela Campos (Diretora da Globo), Cristina Lima (Sup. RH CSU) e Flavia Pontes (Sup. RH Dasa). Veja os temas abordados:

Daniela Campos

Entraves para a mudança de cultura
  • Para Daniela, a Internet permitiu uma conversa muito menos hierarquizada. É possível ter voz e autoridade em um assunto, mesmo não tendo um cargo hierárquico para isso – o mindset digital vem muito dessa mudança; mas, na maioria das empresas, essa mentalidade ainda não se reflete nos processos.

Cristina Lima

Como começar a transformação digital
  • O RH também tem que ser digital, conforme Cristina, para que os novos colaboradores já atuem com o mindset de transformação;
  • Na CSU, empresa líder de prestação de serviços de alta tecnologia voltados ao consumo, é utilizada a metodologia de fast learning e treinamentos digitais.  
Entraves para a mudança de cultura
  • As empresas ainda estão pensando em soluções de projetos com cabeça de PMI, não estão preparadas para o fracasso. Ou seja, despendem muito tempo em um grande projeto, ao invés de testar 10 – sabendo que em 9 vão fracassar;
  • Na CSU, o RH está tentando transformar primeiro a mentalidade da alta gestão, para depois atingir os colaboradores;
  • “Recrutar e reter está mais difícil, porque as pessoas estão buscando mais propósito do que carreira e salários”.

Flavia Pontes

Como começar a transformação digital
  • Para Flavia, é preciso olhar para a cultura e inserir valores que possam se traduzir em comportamentos;
  • A chave do processo de transformação é trabalhar em pequenos símbolos que impactam na ponta. Por exemplo: uma empresa digital também precisa investir em uma jornada digital para o colaborador desde a contratação, com onboarding e treinamentos digitais;
  • Na Dasa, maior empresa de medicina diagnóstica do Brasil e da América Latina, também trouxeram pessoas do mundo digital para a alta gestão;
  • Ainda é como se tivessem duas empresas dentro de uma. Uma parte opera de forma mais tradicional, enquanto outra é dividida em squads que pilotam produtos e soluções.

Painel “Inovação e Diversidade”

Moderado pela CEO da Talento Incluir e vencedora do Prêmio Veja, Carolina Ignarra, o painel contou com Mariane Guerra (VP de RH da ADP), Marcia Baena (Diretora de RH Burger King) e Ana Gavioli (Diretora de RH da Heineken).

As três empresas participantes do debate desenvolvem muitas ações pensadas para aumentar o índice de inclusão e diversidade. Assim, trataram sobre liderança inclusiva, formas de recrutamento e atividades que estimulem essa cultura.

Algumas estratégias que foram citadas:

  • Blind CVs (seleção às cegas): análise de CV sem incluir informações de gênero, idade, bairro, escola e faculdade cursada;
  • Fóruns e discussões sobre diversidade;
  • Metas da empresa para contratação de PCDs acima da cota do governo;
  • Grupos de afinidade;
  • Cultura é top down. Se os líderes não comprarem a ideia, nada vai para frente.

Carolina Ignara

  • “Não é para ser igual, é para ter equidade”.

Mariane Guerra

  • Nos processos seletivos de PCD, começam primeiro recrutando pessoas qualificadas para depois direcioná-las às vagas em que mais se encaixam.

Marcia Baena

  • Trabalham a diversidade como posicionamento de marca: todos são bem-vindos;
  • “O maior obstáculo é o mindset das lideranças”.

Ana Gavioli

  • Engajam as pessoas a serem quem são;
  • “Precisamos engajar a média liderança”.

Palestra “Cultura e Branding – Elo Indissolúvel”

A apresentação contou com Christina Carvalho Pinto (eleita duas vezes pela Forbes como “A Mulher Mais Influente do Brasil em Marketing e Comunicação”) e Paulo Monteiro (coautor do livro Projeto Ômega – A Reinvenção da Empresa). Para os palestrantes, marca e cultura estão totalmente associadas: 

  • Cultura e branding têm a ver com experiência, seja da marca para fora (mercado) ou para dentro (colaboradores);
  • Com as redes sociais, as barreiras entre a empresa e o “mundo” caíram;
  • A empresa, quando declara algo que não vive, é facilmente desmascarada – e a sua credibilidade fica comprometida.

Também fizeram críticas ao employer branding, que está em alta no momento.

  • Para eles, assim como as técnicas e ferramentas de branding, este recurso pode ser usado para criar uma falsa imagem da empresa diante do mercado;
  • O employer branding pode até funcionar a curto prazo para recrutar bons profissionais; mas não se sustenta se a imagem passada contrasta com aquilo que é vivenciado.

Christina Carvalho Pinto

  • “Definindo em uma palavra, branding é destino”.

Paulo Monteiro 

  • “Cultura não é um statement”;
  • “O maior desafio da cultura hoje é o gap entre o que é declarado e o que realmente é vivido”.

Esses foram os principais pontos discutidos no Transformation Talks. Espero que este resumo ajude você a refletir sobre o quanto a área de RH pode ser estratégica para o  negócio.

Que tal colocar em prática algumas das estratégias apresentadas no evento? Se precisar de uma ajudinha extra, baixe o nosso eBook RH do Futuro impacto nas organizações e por que investir em tecnologia.

Até a próxima!

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